Associação Brasileira de Combate ao Câncer Infântil e Adulto
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"Trabalhar por amor. Direcionar habilidades para a causa do combate ao câncer." Unir-se a outras pessoas em torno de um objetivo comum. Defesa e garantia dos direitos das pessoas com câncer. São os objetivos do trabalho desenvolvido pela ABRACCIA.

Cuidando do Paciente

CUIDANDO DO PACIENTE

 

Ser um cuidador e ver alguém que você ama doente sofrer é muito difícil. Você poderá sentir as mais diversas emoções desempenhando o papel de cuidador, como ansiedade, depressão, luto, culpa e frustração.

É fundamental que você identifique seus sentimentos. Ignorá-los pode ser muito perigoso, pois, geralmente, isso não os faz desaparecer. Pelo contrário, podem tornar-se incontroláveis e deixar você emocionalmente estressado e incapaz de manejar a situação, sozinho.

- Observe sinais de ansiedade, depressão, raiva ou estresse.

- Tente manejar apropriadamente os sintomas.

- Procure ajuda profissional, se não conseguir sozinho.

- Converse com amigos íntimos ou familiares sobre seus sentimentos.

 

 

 

APRENDA COMO EVITAR ESCARAS E SAIBA TRATAR AS JÁ EXISTENTES

 

Escaras de Decúbito

Escaras de decúbito ou úlceras de pressão são lesões cutâneas decorrentes da compressão e a consequente falta de oxigenação e nutrição dos tecidos (pele, mucosas e tecidos subjacentes) em pacientes que permanecem acamados, na mesma posição, por longos períodos.

Os primeiros sinais aparecem nas áreas próximas de grandes proeminências ósseas, como na região sacro-coccígea (final da coluna), calcanhares, cotovelos, joelhos, nádegas, lateral externa da coxa, entre outras.

As ulcerações surgem na forma de um pequeno eritema, que pode evoluir rapidamente para a fase seguinte, com a formação de vesículas que, em seguida, necrosam. Tendem a aumentar de tamanho se a região não for protegida e, principalmente, se não for diminuída a pressão sobre a área, pela mudança de posição.

Por isso, recomenda-se massagear ao redor das regiões avermelhadas com creme hidratante e/ou antisséptico até que a coloração da pele tome o aspecto normal, para estimular a circulação de sangue e a consequente oxigenação e nutrição da área.

Uma escara pode aparecer em poucos dias e progredir rapidamente, mas para cicatrizar pode levar meses. A principal complicação da escara é a infecção que inicialmente é local, mas pode disseminar-se. Outra complicação é a infecção óssea (osteomielite).

Além de sofrimento físico, dor e desconforto, o odor, proveniente das ulcerações, é extremamente desagradável não só para o paciente, como também para os que o cercam.

Fases de evolução da escara:

1. Eritema (vermelhidão);

2. Edema (inchaço);

3. Isquemia (irrigação sanguínea deficiente);

4. Necrose (morte dos tecidos).


Principais fatores de risco para o desenvolvimento de escaras:

- Limitação dos movimentos;
- Estados nutricionais debilitados;
- Nível de consciência comprometido;
- Perda da sensibilidade tátil e/ou térmica;
- Umidade (paciente muito tempo molhado por suor, urina e fezes);
- Falta de asseio;
- Excesso de calor ou frio.

 

 



Medidas de prevenção

- Usar protetores de espuma (caixa do ovo), rolos e almofadas nas áreas de maior risco;

- Colchões de ar, gel ou de alpiste apoiam o corpo de forma correta, ajustando-o com perfeição em toda a sua extensão, sem causar pressão excessiva;

- Manter o paciente fora do leito sempre que possível;

- Evitar superposição dos membros do paciente;

- Mudar o paciente de posição constantemente (de 2 em 2 horas);

- Manter a cama sempre limpa, seca e os lençóis bem esticados e livres de migalhas;

- Retirar imediatamente qualquer roupa úmida;

- Proteger a pele com película transparente, hidrocolóides etc. onde haja pressão das saliências ósseas e/ou contato com aparelhos gessados ou mecânicos;

- Zelar pela higiene pessoal do paciente;

- Fazer massagem com vaselina, óleo ou creme à base de camomila, ácidos graxos essenciais (AGE), óxido de zinco etc.;

- Executar movimentos passivos nos membros do paciente;

- Cuidar do estado geral do paciente, oferecendo-lhe alimentos ricos em proteínas, sais minerais e vitaminas.

Medidas terapêuticas

A manipulação de doentes portadores de escaras de decúbito exige cuidados especiais, não apenas da enfermagem, como também dos familiares.

- Caso o procedimento esteja sendo feito em domicilio, solicitar orientação do médico sobre a evolução do quadro;
- Observar sistematicamente o aspecto externo do curativo quando das mudanças de decúbitos;
- Na presença excessiva de secreção, proceder à troca do curativo, independentemente de estar no horário para trocá-lo.

Como fazer o curativo:

1. Lavar as mãos em água corrente;
2. Usar detergente antisséptico e/ou sabão neutro;
3. Calçar luvas de procedimento;
4. Remover o adesivo do curativo anterior com óleos e/ou cremes hidratantes, tomando cuidado para soltar os pelos aderidos e observar reações alérgicas;
5. Fazer a antissepsia da ferida com gaze embebida em soro fisiológico (se possível, morno), fazendo movimentos de dentro para fora (nunca fazer movimento no sentido de fora para dentro da ferida, o que poderá contaminá-la ainda mais);
6. Com outra gaze seca, remover as secreções e os restos de tecido necrosado;
7. Descartar a gaze após uso;
Obs.: caso o curativo seja realizado no momento do banho, utilizar sabonete líquido antisséptico, cuidando para não deixar resíduos;
8. Fazer o curativo usando o produto indicado: papaína, hidrogel, AGE etc.;
9. Fazer um curativo secundário com: gazes (de preferência não aderentes), absorventes femininos, atadura de crepe etc.;
10. Retirar a luva e lavar as mãos;
11. Deixar o paciente bem acomodado e confortável, evitando posição que comprima a área da lesão;
12. Fazer mudanças de decúbitos para evitar complicações nas escaras existentes, e prevenir o surgimento de outras;
13. Trocar o curativo sempre que necessário.

 

Consultoria:
Valéria Brazoloto
titulada pela SOBENDE - Sociedade Brasileira de Enfermagem Dermatológica

Ilustrações:
Caio Borges